Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Um caso perdido teria sucesso?

10.11.18, a tótó

Olho para baixo, subo o murete, olho em frente, respiro fundo pela última vez e inclino-me. Sei que não há nenhum colchão lá em baixo, não há ninguém a aparar-me a queda. Só o chão rijo com pedras brancas, prontas a receber uma nódoa vermelha a percorrer os intervalos entre elas. Os gritos, as sirenes, um choro que perdura durante anos, uma angústia que aperta todos os dias no peito. O porquê, a culpa.

 

Viro costas à varanda.

 

Sou realmente um caso perdido mas tornar tudo mais fácil para mim acarreta muitas consequências para os outros e eles não têm culpa de eu existir, bem, os meus pais têm, por questões óbvias. Mas as minhas ações, os pensamentos que desenvolvo são meus, apenas meus e disso, eles não têm dedo de nada.

 

Por isso opto pelo isolamento, por dormir horas e horas, em viver em modo automático para não conviver comigo própria e com os meus pensamentos, que por sinal, não trazem nada de positivo. Portanto antes que se apoderem do meu corpo e das minhas reações, durmo.

 

Claro que a minha falta de coragem é um factor do caso perdido. Tanto para me atirar como para arriscar. 

 

Esta história do meu trabalho está a ganhar uma relevância muito grande. Está a desgastar-me muito psicologicamente, todos os dias a situação piora e o meu sistema nervoso fica tão alterado que o meu coração bate como se estivesse a correr durante horas, as pernas ficam num tremor que até dói e me enfraquece o andar e o meu coração só me pede para sair dali rapidamente mas controlo as lágrimas, o rancor que guardo na garganta e aguardo.

 

Não sei se faço mal o meu trabalho, às vezes tenho dúvidas que seja assim tão mau mas as reações a ele levam-me a acreditar que sim. Tento melhorar mas parece que só piora. E volta-se a repetir: Sou um caso perdido. Se ali está mal, noutro lado também vai estar, porque vou ser a mesma pessoa, por isso vou sofrer da mesma forma. Portanto concluo que devo merecer todas as reações negativas que me descarregam agora, todos os dias. Noutro lado será igual. Arriscar uma mudança talvez seja um desperdício de tempo. 

 

Tirei um curso pelo qual não me apaixonei, insisti com mais estudos, insisto mais um bocadinho mas mais uma vez, noto que sou um caso perdido. Em vez de dormir, deveria estar empolgada a trabalhar para o mestrado. Mas não, quanto mais penso no que tenho que fazer mais sono me dá. Para além do desperdício de tempo também é desperdício de dinheiro e a vontade de desistir torna-se cada vez maior.

 

Falemos então noutra parte da minha vida, a amorosa. Pois bem, também aqui sou um caso perdido, sou distante, não satisfaço como deveria, sinto que não o faço feliz como ele gostaria de ser. Ainda não temos filhos porque decidi tirar o mestrado e a ideia era ter depois do mestrado e sinto horrores por não ter vontade de fazer o mestrado mas também de não termos um filho. Sim, muitas vezes penso que lhe estou a roubar a vida e sinto culpa nisso. 

 

Quanto à minha família, também sou um caso perdido, um pouco afastada e em alturas deprimentes mais afastada ainda. Deveria apoiar mais os meus pais mas sendo um caso perdido nem isso consigo fazer. 

 

Em casa, com as tarefas domésticas mais propriamente também sou um caso perdido. O nível de água do Aspirador, o centro do bico do fogão, a arrumação dos talheres na máquina lavar loiça, a mesa da sala e a sala da desarrumação é o meu calcanhar de Aquiles. Faço mas não faço bem.

 

Provavelmente é o que acontece no trabalho, eu faço, acho que está bem mas para os outros não está, por isso está mal feito e depois acho que está tudo armado em parvo. Pois, não, eu é que estou parva, porque sou um caso perdido. 

 

Por isso concluo que de TóTó passei a caso perdido e estou a pensar até em mudar o nome do blog. 

 

Acham que um caso perdido teria mais sucesso? 

 

 

4 comentários

  • Imagem de perfil

    a tótó

    11.11.18

    sim, eu no 12 ano queria escolher farmácia, talvez porque desde sempre vivi no meio de caixas de comprimidos do meu pai. Mas uma pessoa da família (e não eram os meus pais, mas era como se fosse) gritou tanto comigo quando lhe dei a notícia, metendo na cabeça que era pior coisa que eu fazia, que, então, abandonei a ideia e passado uns tempos lá estava eu, nas engenharias. Talvez o facto de ter sido Obrigada e de não querer que os meus pais perdessem dinheiro, deixou-me seguir este caminho, aquela pessoa sendo mais velha, provavelmente sabia o que dizia e o caminho era bom para mim. Estudei o mais que consegui e desejei smp sair de lá para os meus pais ficarem aliviados. A medida que comecei a trabalhar fui gostando daquilo. A vertente onde estou agora é diferente mas também é interessante. Aliás, isto é interessante e andei entusiasmada durante uns tempos mas agora, com aquele ambiente insuportável e certas atitudes que tem para cmg e com clientes impossíveis, ponho tudo em causa. A minha aptidão para a profissão, o mestrado.
    O mestrado é só mais este semestre e a tese (que não sei por onde começar), não vou desistir, há-de ficar feito e pode ser que sirva para alguma coisa. As tarefas domésticas ocupam - me imenso tempo e isso aborrece-me e depois só quero despachar aquilo mas parece que faço td mal e aborrece-me ainda mais.
    Quando a nuvem negra se dissipa mais da minha cabeça agarro-me a livros de auto ajuda, desenvolvimento pessoal, o que seja, ainda ontem estava a ler manhãs milagrosas e dizia exatamente aquilo que estou a sentir "numa escala de 1 a 10,eu ansiava o nível 10 de sucesso, mas o meu grau de desenvolvimento era nível 2...foi nesse momento que descobri que esse é o problema comum. Ansiamos o nível 10 de sucesso em todas as áreas da vida mas os níveis de desenvolvimento pessoal se não tiverem nota 10,as dificuldades persistirao" e também dizia que "se queres que a tua vida seja diferente, é crucial que sejas capaz de fazer algo diferente."
    Sofia. Gosto de ti. A sério.
    Obrigada
  • Imagem de perfil

    Sofia

    11.11.18

    Minha querida, primeiro de tudo tens de melhorar a tua auto estima e não ter medo de errar, nós devemos errar e nos arrepender das nossas escolhas e não das escolhas que os outros fizeram por nós!
    Essa pessoa que gritou contigo,desculpa mas procedeu muito mal, podoa te aconselhar e deixar no fim, tu tomares a tua própria decisão, agora gritar?!
    Ás vezes até os nosso pais, pensam que estão ajudar aos meter-se na nossa vida e depois, os filhos são infelizes.
    Segundo, se até achas a área que estás a trabalhar interessante é porque o problema, está mesmo é no ambiente de trabalho, fosse o mais rapidamente daí, quando perderes a tua saúde mental, vão-te dar uma medalha de cortiça e um pontapé no rabo.
    Se o mestrado, está na fase final, esforça-te o melhor que conseguires e arruma o assunto.
    Deixa de tentar ser perfeita, ninguém o é e eu pessoalmente, detestei as pessoas que se julgam " perfeita", todos nós temos várias aptidões, mas não para tudo, nunca tentei ser perfeito, tendo dar o mau melhor, sou responsavél e deito-me com as conciência tranquila.
    Vou dar-te uma sugestão de um livro, que me ofereceram quando era adolecentes e ficou anos na prateleira, até que o li, numa das alturas mais negras da minha vida, onde o ódio me consumia por dentro, foi ele que durante anos, me fez andar para a frente e lutar contra o mal que me faziam, quando o acabei de ler, algo mudou em mim e encontrei a luz, espero que te tamém te faça encontrar a tua " Vai aonde te Leva o Coração" de Susana Tamaro.
    Eu também gostei de ti, Totó e tens aqui uma mão amiga, mesmo sem nos conehcermos, podes desabafar.
  • Imagem de perfil

    a tótó

    13.11.18

    Foi um momento que ficou sempre registado. Foi uma fase terrível que passei com aquela pessoa, deixou marcas mas já passou...
    é o que acho, é este ambiente de trabalho que me corrói e isto até podia não ser um problema se eu conseguisse marimbar-me para a postura e atitudes deles todos, até porque o meu trabalho é sempre afectado por isso. Quando avanço um passo, do nada empurram-me para trás e diga o que disser não mudam de ideias. Enfim, é um assunto a resolver, a procura de novos caminhos mantém-se, alguma coisa há-de acontecer, nem que seja, absolutamente nada de diferente...
    A minha tentativa de perfeição é um tiro no pé, acabo por fazer tudo mal, portanto, de perfeita não tenho mesmo nada, só me faz perder metade do caminho e é isso que tenho que interiorizar.
    Vou ler de certeza esse livro, já fiz uma pequena pesquisa e uma frase tocou-me, porque ontem a frase do J, que também está a levar com estas minhas crises, disse-me praticamente isto: "As coisas são assim, é preciso generosidade na vida: cultivar o nosso caracterzinho sem ver mais nada do que está à nossa volta significa que ainda se respira, mas que já se está morto.”
    Obrigada pela tua força, por estares aí, mesmo não me conhecendo, e dares o teu tempo a esta tótó que se lamenta, lamenta e não vê as coisas simples da vida. A Marta Elle, lá em baixo é que diz bem!
    um beijinho. Grata.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.