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Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Eu cá não tenho vontade nenhuma de sair de casa.

26.03.20, a tótó

Antes da pandemia havia um sem número de desafio nas redes sociais, nos blogues, éramos constantemente desafiados e alinhávamos, era divertido e fácil de realizar. Sentiamo-nos bem com o objetivo superado.

 

Agora com a pandemia o desafio é outro: Sair de casa.

Digo-vos pela minha experiência que é toda uma dinâmica que tem muita probabilidade de estar errada. 

 

Há uma semana atrás arriscámos sair de casa e ir à mercearia. Já na mercearia, o primeiro obstáculo foi arrancar um saco para colocar fruta. Eu olhei para o rolo e perguntei-me "Agora como é que tiro um saco daqui". Até acho que o rolo estava a rir-se de mim. Eu tinha que pegar num saco e arrancá-lo mas para isso tinha que segurar o saco seguinte, que ia ficar para outra pessoa. Vamos lá ver, eu tinha acabado de desinfetar as mãos, o problema não era eu, mas sim o saco que usei, alguém o tinha segurado e não sei o estado das suas mãos ou nem quero pensar sequer na hipótese de que ainda há malta que tem a mania de lamber os dedos para facilitar a abertura de sacos finos como aqueles.

Para além disso temos as trocas do cartão de multibanco ou dinheiro e toda a logística de chegar a casa, colocar tudo no saco de desinfeção e desinfectar tudo. Produtos. Roupa. Sapatos. Maçanetas. Interruptores. Chão.  Nós. E nem sequer sei se estou a fazer tudo bem, se o raio do bicho não veio a acompanhar-me.

 

Mas hoje fui à mercearia comprar pão. Só pão. A logística continua a mesma mas pouca coisa é mais simples. E hoje reparei nas pessoas que aguardavam  na fila.

 

Houve uma senhora que se queixava de ter que esperar na rua, estava frio, ia constipar-se e ir para o hospital numa altura destas era impensável. Eu quis ser simpática e agradável e disse que tínhamos que cumprir e ter paciência. Olhei para ela. Tinha um vestido pela canela, de verão, sem meias, trazia um lenço ao pescoço mas que na realidade não estava a fazer nada pois viam-se as mamas pelo decote do vestido. Mas vá, levava um casaco com pêlo para compor a coisa.

Depois chegou outra senhora que vinha com luvas calçadas mas decidiu colocar-se junto a mim, portanto, sem distanciamento.  De referir que continuávamos na rua.

 

Para mim a situação grave foi a seguir, quando chegou uma senhora lá para os seus 80 anos. Que vontade de mandá-la para casa. Trazia máscara mas a máscara foi descaindo e ficou com o nariz descoberto. Eu já tinha entrado e foi a moça do supermercado que viu e chamou-a a atenção.  Ou seja, aquela senhora, demonstrando alguma incapacidade e não se apercebendo que a máscara tinha escorregado pelo rosto, ficou lá fora, com duas mulheres que tendo noção da situação não têm noção nenhuma.

 

Portanto, só de pensar em sair de casa, não só por toda a logistica, mas também por observar o comportamento das pessoas como vi hoje, pergunto por que é que ainda têm vontade de sair de casa?

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