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Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Ler para aprender.

24.01.21, a tótó

Está quase a terminar o dia das eleições presidenciais. 

Devido à pandemia pude votar antecipadamente no domingo passado, houve fila mas correu tudo bem, tal como acontece nas filas de supermercado ou do shopping. Portanto não há que ter receio. 

Por vezes acho que votar não serve de nada mas depois lembro-me que sou mulher e que esse direito, em tantos anos de vida humana, é demasiado recente para o género para ser desvalorizado. Por isso voto e desta vez, penso que de forma positiva e que um voto a menos numa personalidade que veste cordeiro em pele de lobo, poderá ser uma vitória para a nossa liberdade. (se pensasse de forma negativa diria que ao pensar assim, quem apoiar aquela personagem vai gerar mais votos...enfim, manter o pensamento positivo, até porque acho que o meu medo não são as presidenciais mas sim as legislativas). 

 

Nós sabemos que não somos totalmente livres e dadas as circunstâncias, vou ousar dizer "E ainda bem!" já imaginaram sermos totalmente livres depois de assistir ao incumprimento das regras durante esta pandemia? Verificando os números que têm aparecido de infectados e de mortes devido ao vírus?

Estou convicta que se o governo tivesse na prateleira vários planos (b, c, d, e,...) não teriamos chegado a estes números ao invés de  andarmos ao ritmo da maré. Talvez a situação não se tivesse descontrolado mas por favor, não venham dizer que a culpa é do governo! A constituição portuguesa diz que nenhum governo deverá tirar a liberdade de cada um. Portanto, os doentes covid e as pessoas não estão sujeitas a pulseira eletrónica porque era um atentado à liberdade individual. (mas não era mal pensado e já vão perceber porquê já de seguida) 

A culpa é daquele que se queixa a torto e a direito com o nariz fora da máscara e que se apresenta à porta do hipermercado quando ao microfone se pede "A PESSOA COM COVID QUE SE ENCONTRA NESTE ESTABELECIMENTO APRESENTE-SE AO SEGURANÇA!"

E essa pessoa quando olha para o lado, vê mais 7 pessoas.

Isto é verdade, assustador e inacreditável!

 

Mas não tão assustador como os livros que ando a ler e que são baseados na 2ª Guerra Mundial, são eles " A rapariga que roubava livros" e "A sociedade literária da tarte casca de batata". Ler histórias como estas faz-nos ter outra perspetiva relativamente àquilo que estamos a passar nestes tempos! Não só por que somos uma grande maioria com condições aceitáveis de vida, como devemos acrescentar valores à nossa identidade para enfrentarmos os próximos tempos, que sabemos bem que não serão fáceis. Para ninguém.

 

a rapariga que guardava livros

 

tarte casca batata.jpg

 

Confinamento, o que é isso?

14.01.21, a tótó

Até tenho receio de dizer isto mas enquanto sentir que tenho liberdade para escrever, cá vai.

 

Não acredito neste confinamento, compreendo que seja necessário pensar nele e construir medidas de forma a que ninguém perca a sua liberdade mas com tanta excepção vai haver sempre forma de contornar. Se temos tantos casos hoje por darem "abébias" nas festas, então não me parece que as coisas vão melhorar agora.

No meu caso, a única coisa que vou infringir é a questão do teletrabalho. Eu posso perfeitamente trabalhar a partir de casa, aliás fizemo-lo no ano passado quando tudo isto começou, mas para mim não correu bem porque ter um patrão ansioso, nervoso, falta-de-ar, que não consegue tolerar uma situação destas é insuportável. E portanto, deixei bem claro no escritório que, desta vez, de mim não saía uma palavra sobre este assunto. Julgo que devia ter uma declaração para justificar o meu trajeto, não a tenho por isso se me apanharem pelo caminho amanhã, a única justificação que posso dar é que vou trabalhar porque não consigo exercer as minhas funções a partir de casa, se não for suficiente, mando-los resolver com o chefe. Mas também julgo não ser possivel haver fiscalização para tantas empresas, GNR não são assim tantos e têm demasiadas funções acumuladas.

 

De resto, a minha vida será a mesma de sempre. Casa-trabalho, trabalho-casa, compras de supermercado ao fim de semana, no menor tempo possivel. Provavelmente uma caminhada à tarde enquanto houver sol e uma ida semanal ou de duas em duas semanas a casa dos meus pais, com máscara, sem beijos e abraços e com duração de menos de 4 horas. Não há passeios para lado nenhum, nem cinemas, nem teatro, nem concertos, nem livrarias. Não há encontros com amigos, familiares. Não costumo frequentar restaurantes, bares, cafés. Não vou à missa. Não vou ao ginásio. Não vou ao cabeleireiro há quase um ano mas continuo apresentável.

Enfim, dito assim até parece uma vida triste mas sei o que é passar pela ansiedade do "será que estou infetada" demasiadas vezes e não estou com vontade de apanhar ou de passar a alguém mais vulnerável e que as consequências sejam mais graves. Claro que, mesmo com os maiores cuidados, posso ser infetada e até nem dar por isso mas gosto de pensar que assim estou a ir pelo bom caminho. 

E em vez de ver isto como um problema, um empate na minha vida, vejo como uma forma de poupar dinheiro para quando os tempos melhorarem e poder usufruir de serviços que não pude usar neste momento (espero que passeios sejam um deles, que eu gosto de cu tremido), de poder utilizar o tempo livre com leituras, escrita e investir em mais aprendizagem e  também como uma forma de concentrar-me em mim própria porque a minha sanidade mental bem precisa, pois sabemos bem que ao sobrevivermos a uma pandemia, vamos viver tempos de crise económica e as pessoas, no geral, vão estar ainda mais stressadas, desconfiadas e vão ser ainda mais egoístas, individualistas.

 

Portanto vamos tentar ver isto com outros olhos e sermos respeitadores uns para os outros.

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(daqui)

 

 

 

O que é uma pessoa do bem, André?

08.01.21, a tótó

O que é realmente, uma pessoa do bem?

Eu considero-me uma pessoa que pratica o bem. Não tenho cadastro, nunca roubei nada, nem um bago de uva, ou uma castanha no supermercado, paguei as duas multas de trânsito que tive, nunca matei ninguém e fico aborrecida, triste e deprimida se me chateio com alguém. Não gosto de conflitos mas quando chego ao meu limite, berro e transformo-me! Cuido dos meus pais, da minha família, o melhor que consigo. Pago os meus impostos, declaro tudo (mas nem sempre peço fatura). Trabalho e preocupo-me com as minhas funções. Acho que alguém assim é uma pessoa do bem. Por isso, se o destino quiser o André Ventura como presidente de todos nós, julgo que posso ficar no meu país. 

Mas por exemplo, o que acontecerá à minha prima que recebe um subsídio mas trabalha a dias durante a semana? Ela é carinhosa, simpática, nunca matou ninguém, nunca infringiu nada, ficou viúva nova, teve cancro, é uma sobrevivente e contudo recebe aquele subsídio quando se calhar não devia.

Ou o meu chefe, que como tantos empresários, fatura coisas pessoais em nome da empresa, põe lay off sem haver necessidade. Mas ele é porreiro, paga os impostos, é educado e preocupa-se.

O que lhes vai acontecer?

E aos bandidos e pindéricos?

Se André é contra a sentença de morte não os pode matar. Se é a favor da prisão perpétua e os prender implica que as pessoas de bem, as que ficam cá fora, terão que pagar ainda mais para os manter lá dentro. Serão necessárias mais prisões, serão necessárias mais forças policiais. Enfim tudo o que uma prisão implica e o dinheiro dos contribuintes. 

E se os ciganos que ganham os tais subsídios votam nele, passam a ser pessoas do bem?

Um bairro com 100 pessoas pagará por todos os crimes que um gangue de quatro elementos fazem? 

Os homossexuais, transsexuais e pindericos como José Castelo Branco, o que lhes vai acontecer? Mesmo que nunca tenham infringido a lei, mesmo que paguem as contas, impostos e trabalhem, sem recursos a subsídios, deixam de ser pessoas do bem? 

Nunca passei por uma ditadura mas alguém que faz parecer que quer "aniquilar" um país inteiro, não deve ter outro nome senão fascismo. 

É um discurso incoerente porque se ao mesmo tempo que se tenta pôr do lado da minoria, também se põe contra eles. E só não vê quem não quer. É é isso mesmo que me preocupa, porque julgo que hajam muitas pessoas que não querem ver, não querem informar-se, não procuram saber mais. Ele só diz o que todos queremos ouvir. 

Menos deputados no parlamento. Viva! 

Ciganos sem receber subsídio de reinserção. Viva! 

Pretos a cometer crimes, na prisão. Viva! 

Pedófilos em prisão perpétua. Viva! 

Põe-se numa manifestação LGBT a dar o seu apoio. Viva! 

É suficiente para ganhar cada vez mais membros no partido e votos para ganhar mas sejamos realistas, o André é tão mentiroso como nós cremos que todos os políticos são e portanto, se um dia ele for presidente, a ideia será sempre "aniquilar" pessoas que não são do bem. 

E toda a gente sabe que cada vez mais vivemos das aparências. Quem sabe se um médico (salva vidas) depois do turno não vai para o seu bunker onde abusa de crianças raptadas. É um cenário grotesco mas pode acontecer certo? Mas não deixa de ser uma pessoa do bem, porque é médico e porque ninguém sabe desta lado obscuro e macabro. É uma pessoa normal. Um médico, vejam só! 

É assustador o que se vê por estes dias nos EUA. Mas toda a gente sabe quem é o causador, o mesmo que agora põe o rabinho entre as pernas e foge. Desaparece das redes sociais, abandona os seus servos. 

E o André tem 37 anos e uma forma de falar politicamente (literalmente) incorreta. Pode ter tido 19 valores no final do seu curso de direito mas há valores e princípios de vida que não se aprendem ao nível académico. 

 

Tenho medo, sabem. O mundo está realmente a mudar. As pessoas estão cada vez mais revoltadas. Egoístas. Insatisfeitas. Estão doentes. Cada vez mais deprimidas. Cegas. E isso sim, é que necessita de mudança! 

 

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