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Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Eu também tive um regresso à Cristina Ferreira e à Jorge Jesus.

22.07.20, a tótó

Noutros moldes, obviamente. 

 

Há um ano atrás eu passava pela "casa mãe" e desejava estar lá. O meu emprego naquela altura estava pelas horas da morte, andava a arrastar-me e só queria paz e sossego e eu sabia, naquela altura, que tudo o que precisava era de regressar. E sabem que, quando dizemos muitas vezes a mesma coisa, de alguma forma acaba por se realizar. E aconteceu. De repente abriu uma vaga e lá fui eu. Bem recebida, condições melhores do que da primeira vez (claro que é para aí 1/1000000? vezes de ordenado do J.J e da C.F) e estava tudo bem. Foi aquilo que quis e tive. Obrigada.

 

Veio o Covid, o teletrabalho e o stress desmedido. Veio a minha condição de saúde, muitos "nãos" do meu lado e o cenário deixou de ser paradisiaco, eu mudei a alguns níveis e deixei de conseguir tolerar certas atitudes e o stress, principalmente. 

 

Considero hoje que o meu regresso não foi a melhor decisão da minha vida. Vim agarrada ao que tinha há 10 anos atrás, quis desligar-me das coisas que correram menos bem no passado (e que teria dado jeito ter-me concentrado um bocadinho nisso antes de ter tomado a decisão final) e deixei-me ir, por desespero, por angústia e pela tristeza que exarcebava todos os dias.

 

Concluo hoje, que a minha tristeza não vinha do emprego em si, ou das pessoas com quem tinha que lidar, mas sim de mim própria. Porque, ao contrário destas duas grandes figuras, sinto que esta não é a minha profissão, sinto que já nada tenho a dar com estas funções. Limito-me a obedecer.E aí está uma grande diferença.

 

Mas a questão que se coloca é: valerá a pena regressar? Voltar, quando já tivemos uma experiência nesse lugar? E mesmo que tenha sido boa, passados tantos anos, as coisas mudam não é? Nós próprios mudamos. 

 

Na minha experinência digo que não. Tive uma experiência ali. Correu bem. Trouxe-me mais coisas boas do que más. Mas voltar? Talvez voltar à estaca zero tivesse sido melhor. Mais doloroso, é certo, mas talvez mais desafiador e motivador para mim.

Talvez.

 

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Sobre Madness Issue.

09.07.20, a tótó

Às vezes venho aqui e olho. Fico a olhar, à espera que as palavras escorram-me pelos dedos. Mas está seco. Está tudo seco como a terra nestes últimos dias. 

 

Até teria tema para escrever mas às vezes já nem me reconheço. Já não apetece vir aqui "refilar" com as coisas da minha vida. Ando cansada. Sem paciência. Qualquer coisinha serve para me pôr a um nível de irritabilidade considerável. Mas depois paro. Respiro fundo. Sinto a respiração. Estou viva. Seja lá em que nível da minha vida eu estou, posso dizer que estou aqui e não sou totalmente infeliz, por isso, respiro. Olho em frente e tudo me parece melhor. Mas não está.

 

Chorar, martirizar-me e questionar-me constantemente sobre o porquê de ter sido eu, o porquê de ter acontecido e responder-me com afirmações positivas, mandando mensagens ao subconsciente para dizer à consciência para a alma ficar bem, é recorrente mas só isso não é suficiente.

 

Durante a minha baixa tive alguns problemas profissionais que vieram mostrar-me aquilo que não quis ver durante anos. Mas foquei-me tanto nisso que não conseguia dormir bem, não conseguia andar bem durante o dia, não descontrai, não descansei e posso mesmo admitir que desvalorizei o que me aconteceu, tudo por causa de um emprego. Eu só pensava em sair dali, em procurar por ofertas e até mesmo em criar o meu próprio emprego. Tudo isto num mês. E claro está, não fiz nada. Voltei ao trabalho. Cansada. Sem paciência. E com uma grande tristeza em mim.

 

Não me permiti entrar em mim, bem lá no fundo, e perceber que a natureza, essa sábia, intercedeu por mim dizendo "Rapariga, o que andas a fazer contigo? É melhor isto ficar por aqui!"

 

E se isto foi antes de Maio, a partir daí não tenho feito outra coisa senão brincar ao tapa buracos. Tapo tudo com areia, para não ver, para me dizer que sou forte e para não vir a cair nalgum buraco.

Mas não ousei ainda a olhar lá para dentro, para ver se há algo escondido, antes de tapar.

 

E se for uma flor. Um tesouro. Uma pessoa. Eu?

 

Madness