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Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

O meu herói do 25 de abril.

25.04.20, a tótó

Estavas em Angola, na guerra do ultramar, eras radiotelegrafista. Uma função de peso, de muita responsabilidade e claro, se te descobrissem eras o primeiro alvo a abater. As injeções que te davam para não dormires e não teres medo faziam efeito e por muito tempo deves ter pensado que tudo ia ficar bem.

Soubeste muita coisa e nunca nos contaste. Guardaste para ti tudo o que se passava no mato, na metrópole. Viveste muito, sofreste muito, antes e depois da guerra e foi a guerra que te fez ficar assim, com uma depressão crónica, com suores, com pesadelos, com intolerância, com dias maus e noites muito más.

A guerra não valeu de nada, para ninguém. Nunca vale. Para ti, fez-te um homem muito diferente do que eras antes e é por isso que a liberdade para ti tem um significado muito diferente do que tem para mim mas mesmo assim, graças ao dia de hoje, 25 de Abril, pudeste vir mais cedo de lá, para os braços da tua amada e da tua família. Contudo, nunca mais foste livre.

A guerra ficou presa dentro de ti.

 

 

Hoje a homenagem é para ti. Pai. 

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Terei o direito e a liberdade de me queixar, agora?

01.04.20, a tótó

Todos os dias sinto-me grata por acordar, por acordar bem, sem sintomas. Pelos meus estarem bem também. Agradeço a esta situação por me ter aproximado mais do meu irmão, por estar em casa e por isso poder falar com mais tempo com a minha mãe. Sou grata por o j. poder estar em casa e não andarmos constantemente a pensar que pode trazer o virus para casa. Sou grata por ter trabalho e por receber ordenado (mesmo que não seja o que estava à espera). Sou grata por a única coisa que tenho que fazer é ficar em casa, onde há paz, amor, saúde diversão. Sou grata sim. Sou uma sortuda, até.

Se devemos viver no presente e um dia de cada vez, claro, sem dúvida. Se querem mais um motivo para estar gratos leiam esta entrevista da Visão. Sério, leiam mesmo, é bastante motivador.

 

O que quero refletir convosco é: dada as circunstâncias, temos o direito e a liberdade de nos queixar?

Serei ingrata e injusta em ter sempre o meu lado profissional a incomodar-me? Claro está, atendendo a que vou sobreviver ao vírus. (coisa que não está de todo de parte, porque pode acontecer a qualquer um de nós)

Há muita incerteza, em todos os ramos. O que é certo hoje, não será amanhã com certeza, e este virus mostrou-nos com todas as letras que nada é garantido. E é isso que me atormenta. Se a minha profissão nunca foi garantida, estou fartinha de saber, quando mudei de trabalho eu já sabia que ia ter o lado bom e o lado menos bom, mas o lado bom falou mais alto. Agora chegou o lado menos bom, mais cedo do que se esperava. E com ele chegou o que mais temia: a montanha russa. As dúvidas. Se por um lado vamos agarrar com unhas e dentes o trabalho, por outro, quando terminarmos não sabemos se haverá um pagamento. Não sabemos se haverá direito a lay-off e se há viabilidade para isso. A falta de trabalho e de pagamentos vai determinar a evolução da coisa e eu sei a minha posição. Eu não sou a pessoa mais imprescindivel da empresa. Tenho a minha intuição a dizer desde o inicio que vou voltar à estaca zero. Por isso pergunto-me, não terei eu que fazer um esforço maior, mais para mim e para minha família?

 

Valerá a pena fazer o esforço que me é pedido?

A resposta é: Não sei, não sabemos.