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Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Para Sempre TóTó

TóTó é o nome carinhoso que ele me dá. Ar calmo e sereno versus um turbilhão interior. Serei eu assim, Para Sempre.

Desafio de escrita dos Pássaros #2.5 - As dúvidas de Joana

28.02.20, a tótó

Joana não conseguia processar o que se estava a passar com ela. De repente vê-se num sítio onde nunca esteve, com pessoas que nunca viu e que mesmo sendo uma estranha também para eles, (e louca, segundo o que lhe parece) estão a ajudá-la a regressar a casa. Sem segundas intenções, sem pedir nada em troca. O casal Lurdinhas e Eustáquio Vida Larga, têm sido incansáveis com ela e ela, às vezes tão azeda para eles. 

Joana precisava de entender o que se estava a passar e a Sofia conseguiu acalmá-la ligeiramente. Não estava sozinha. Sofia contou-lhe naquela manhã, que também foi muito atabalhoado o encontro com as pessoas da aldeia, e que também pensava que tinha adormecido, mas ao fim de um ano descobriu que afinal tem estado em coma. Tinha sido o Sr. Eustáquio que a levou ao Padre Serafim, porque começou a perceber que algo estava muito errado. O Padre Serafim parecia ser um bocadinho inconveniente e indiscreto mas ele estava ali com uma única missão, e não era dar missas.

Joana ficou em choque. Estaria ela também em coma? Teria morrido e aquilo era o céu? Mas Sofia aquietou-a. Junto do Padre Serafim aprendeu a distinguir os “perdidos”. Há os sonhadores, os que estão em coma ou inconscientes e os que morreram. Há diferenças entre eles mas não podia ensinar-lhe, podia só dizer-lhe que ela estava bem de saúde, estava só enrolada num sonho e não tardava em acordar.

Ao regressar a casa dos Vida Larga, Joana sentia-se numa ambiguidade, por um lado queria ficar com Sofia e descobrir mais sobre a aldeia e sobre o mistério da distinção de pessoas, por outro só queria voltar à sua vida, por mais reles que fosse. Eustáquio sentou-se a seu lado, pressentindo as suas dúvidas.

- Sabis, o tempo né o relójo que manda, és tu! Tu é que decidis, tá claro, mas sa fossi a ti na ma apressava! É cassim de repenti acordas e tudo o que mais desejavas realizou-se. Vá, conta-nos o tê dia.

 

Para quem não tem seguido, este texto tem precedentes. Ora começa com , depois é assim e assim, até chegar aqui.

Desafio de escrita dos Pássaros #2.4 - O Google está errado.

21.02.20, a tótó

-Então Sr. Eustáquio. D.Lurdinhas, como vão? Trazem uma moça convosco hoje, é? Alguma parente?

-É Sr. Agente. Esta é a filha da nossa prima que vive em Lesboa. Veio ver a vida du campo. Sabe cumu é, meninos da cidadi que pensam que o leiti vem dos pacotis. Ahahah.

-Você tem muita graça. Ahahah. Então e como se chama ela?

-Há pois... (Eustáquio e Lurdinhas olham um para o outro aterrorizados. "inda na sabemos o nome dela") 

-Carmo Trindade, muito gosto. Vim conhecer a vossa aldeia. Vou fazer um documentário para uma disciplina da faculdade. Com certeza que irei pedir-lhe uma entrevista mas não hoje. Aqui os primos quiseram que fosse falar com o padre.

-Então não vos masso mais. Vão lá, antes que o Sr. Padre Serafim queira dormir.

-Carmo Trindade, moça? É memo assim que te chamas? E tu Eustáquio, por que é que na disseste ao agente da guarda pra levá-la pra casa? 

-Não D. Lurdinhas. Chamo-me Joana mas já que sou de Lisboa e isto está a ficar uma embrulhada acho que esse nome me assenta na perfeição. Vamos despachar isto. Quero voltar para casa e já lhe disse que é com música, não com a GNR. 

 

-Sô Padri Serafim, a sua bênção. Aqui a nossa prima Carmo Trindade cria ver o órgão, mas cumu na sabe tocari, será ca nha Lurdinhas podia tocar pra ela?

-Mas com certeza. Estejam à vontade. É sempre tão rejuvenescedor ouvir o som do órgão e tocada pela D. Lurdinhas ainda melhor. 

-Bom, bom. Vamo masé despachar isto Eustáquio. 

 

- Ó nãaaaooo! Porquê? Porquê?

- Olá! Está tudo bem? Sou a Sofia, ajudo o Padre Serafim aqui na Igreja.

- Que susto! Eu sou a Joana e antes que perguntes, a minha história é muito estranha, precisas só de saber que eu preciso de uma música e não é esta, definitivamente. Olha, tens um telemóvel. Tens internet? Podes emprestar-me? Assim posso mostrar-te qual é a música que eu preciso U-R-G-E-N-T-E-M-E-N-T-E.

- Está bem. Podes usar. Mas acho que não funciona bem como lá na cidade.

- O Google está errado!! Como assim a minha música não existe??

- Eu disse-te. Isto aqui na aldeia é um bocadinho diferente mas vais-te habituando.

- Como assim? Agora estou a ver que tu não tens aquele sotaque camponês. Tu não és daqui?

- Amanhã às 10 horas aparece na Filarmónica para me conheceres melhor!

Desafio de escrita dos Pássaros #2.3 - Manual para iniciar relacionamentos

14.02.20, a tótó

Mas onde é que eu vim parar? Eu estava a ver um filme normalíssimo, baseado na vida real de um mulher que teve uma ideia e concretizou-a. Eu não queria participar num filme terror, muito menos correr a meia maratona. Esta gente é doida, a vida no campo mais parece um inferno. O que é isto? F&%@%:%&#. Faz o favor de acordar!!! Jááááá!!!!

-Eustáquio! Eu disse-te quéla ia pró terreno dos toiros!

-Ó cum catano! Estas riquinhas da cidade vêm pra terra fazer o quêi? Respiram ar puro ficam logo todas drógadas. Valha-me Nossa Senhora!!! Toiro! Vá lá pra dentro! Vai! Ó moça pire-se daí mas é! Vá ter ca nha Lurdes, tá ali à frenti!

-Euuuu?? Nem pense!! Você quer matar-me! Já vi muitos filmes a começar por menos! Eu hei-de safar-me.

-Como queira moça mas se continuar prá frente vai encontrari os toiros bravos e com essis eu na me meto! Adeus e boa sorti! Lurdinhas, o problema destes jovens é filmes a mais e pouca enxada!

-Espere aí! Esperem! Ok, eu vou com vocês. Mas eu preciso de acordar para voltar para casa.

-Eustáquio. Eu acho quéla foi aos vasos da estufa...Tu na tás boa da cabeça moça. Vou ligar ao Chico Polícia para te levar pra casa. "Tenho que acordar pra ir pra casa." Realmente esta juventudi tá memo perdida...

-Oiça, isto é um sonho OK? Eu sei que é difícil vocês acreditarem em mim mas não duvidem, vocês não são reais e de certa forma, eu também não sou. Aqui não sou. Eu só preciso de encontrar uma música e volto logo para casa.

- Na sêi sacredito nisso…Eustáquio, resolve!

-Moça, vamos ter cu Padre Serafim, o quer que seja que você tanha, ele ovi-a.

-Rrrrrr!!! Vocês são loucos!!! Só me faltava um exorcismo!!! Bem, têm lá um órgão? De música?

-Têm pois. A nha Lurdes tocava trompa na Filarmónica e metia as mãos no órgão da igreja aos sábadus à tarde…Alembraste Lurdinhas? Os sábadus na sacristia…

-Eustáquio. A gente na conhece a moça, maroto. Mas olha podíamos escreveri um manual pra iniciar relacionamentos e dari a esta moça. Acho que tá precisando dum homi ou duma melheri…

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